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Fabio Ostermann Candidato Deputado Federal – RS

A Tirania do Guardião: O STF como Ameaça ao Estado de Direito

Nos últimos anos, o debate público brasileiro foi inundado por alertas sobre uma suposta ameaça de intervenção militar contra a democracia. No entanto, enquanto os olhos se voltavam para os quartéis, o verdadeiro golpe contra a nossa ordem constitucional era gestado e executado por quem deveria ser o seu “Guardião”. O que assistimos hoje é a metamorfose do Supremo Tribunal Federal em um poder autocrático que ignora os limites da lei para impor sua vontade política.

A escalada autoritária da cúpula do Judiciário não é uma interpretação subjetiva, mas um fato jurídico comprovado por sucessivas violações flagrantes da Constituição Federal de 1988.

1. O Inquérito do Fim do Mundo (Fake News)

Aberto de ofício e arrastando-se há mais de sete anos, o inquérito utilizado para censurar veículos de imprensa e perseguir opositores é a negação do sistema acusatório. Ao concentrar as figuras de vítima, investigador, acusador e julgador no mesmo órgão, o STF instituiu um tribunal de exceção, violando frontalmente a proibição do Art. 5º, XXXVII, e usurpando a titularidade da ação penal do Ministério Público (Art. 129, I).

2. O Atropelo do Devido Processo Legal no 8 de Janeiro

O STF transformou julgamentos em espetáculos punitivos ao ignorar o princípio do juiz natural (Art. 5º, LIII). Cidadãos sem foro privilegiado foram julgados em massa pela Suprema Corte, com penas desproporcionais e ausência de individualização das condutas. O desrespeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência (Art. 5º, LIV, LV e LVII) expôs a fragilidade das garantias fundamentais diante de um tribunal politizado.

3. A Censura Coletiva e o Bloqueio do X

Em 2024, a suspensão da plataforma X em território nacional ignorou os marcos regulatórios da internet e impôs uma punição coletiva a milhões de brasileiros. A medida feriu de morte a liberdade de expressão e a vedação à censura (Art. 5º, IV e IX), tratando o acesso à informação como uma concessão estatal e não como um direito individual inalienável.

4. A Usurpação de Competência no Impeachment

Em um dos ataques mais graves à separação de poderes, o ministro Gilmar Mendes alterou, por decisão monocrática, o rito de impeachment de ministros do Supremo. Ao transferir para a PGR atribuições que a Constituição confere privativamente ao Senado Federal (Art. 52, II), o STF criou uma blindagem institucional que torna seus membros inimputáveis, rompendo o sistema de freios e contrapesos.

A democracia brasileira corre um risco real. A ameaça não provém da força das armas, mas da caneta de juízes que se julgam acima da ordem jurídica que prometeram defender. O STF é uma instituição vital, mas o poder absoluto corrompe. É urgente limitar severamente as atribuições da Corte e restaurar a harmonia entre os poderes. Antes que seja tarde demais.